15 dezembro, 2007
Criatividade depois do mais do mesmo
Sábado passado estivemos naquele deprimente espetáculo de nostalgia barata que foi o show do Police. Uma espécie de micareta reggae-pop, com a pior organização que já se teve notícia em todo o mundo.
Por conta do brilhantismo dos organizadores do show, não conseguimos beber sequer uma garrafa d'água durante as mais de duras horas em que Sting tocou a mesma música. Ato contínuo, saímos do Maracanã direto para algum bar/restaurante onde pudéssemos comer e beber.
Acabamos no Sindicato do Chope da Afonso Pena. Já tínhamos pedido o couvert e uma porção de batatas fritas quando fomos surpreendidos por uma opção de se escolher quatro entre vários aperitivos, que vêm num prato redondo com uma porção de farofa no meio.
Ficamos com batata frita, filé aperitivo, carne seca e provoleta. Com a farofa no meio. As outras opções possíveis são as clássicas entre os aperitivos de qualquer bar. Aipim, frango a passarinho, essas coisas.
Além da idéia, bastante simpática, há que se elogiar a qualidade da comida e a quantidade servida. Comemos seis pessoas e segurou muito bem a onda, junto com infindáveis garrafas d'água e latas de refrigerante.
Portanto, palmas para o Sindicato, que trouxe um troque de criatividade para o previsível mundo dos aperitivos.
01 dezembro, 2007
Noite de Reis
Pra escolher o lugar eu liguei pra uma amiga socialite e dei uma olhada no especial da Veja Rio sobre bares e restaurantes. (Aqui vale uma explicação: eu não compro a Veja. Nós temos apenas essa edição especial justamente para pesquisar lugares)
Vi os restaurantes que venceram em cada categoria e separei algumas opções. A minha amiga socialite sugeriu o Miam Miam, mas como a intenção era jantar mesmo - e havia interesse mais em vinhos que em drinks - acabamos ficando com o escolhido como melhor carne pela Vejinha: Giuseppe Grill.
Sendo um restaurante chique, é claro que não é preciso pedir o couvert; ele vem até você. E a coisa é finíssima. Numa simpática cestinha de madeira vêm torradas, pão preto, pão francês e uma pizza branca espetacular. Pra passar nos pães, eles trazem uma deliciosa ricota levemente temperado com alho. Acompanha também um molho à campanha (!) e um especial da casa, com cebola, orégano e pimenta branca.
O ambiente é tão legal e a comida tão boa que dá até pena de falar dos problemas, principalmente considerando que eles são completamente subjetivos. Por exemplo, eu não gosto que garçon me sirva. Ainda mais aquele garçon que fica do lado da mesa e não deixa seu copo d'água esvaziar direito. Essa paranóia de copo cheio só é legal com cerveja, e na Festa do 12, em Ouro Preto. De resto fica exagerado.
Mas isso me fez elaborar uma teoria sobre a tensão inerente a esse tipo de lugar. O público que vai a esse restaurante exige um tipo de atendimento quase escravista. O esforço exagerado dos garçons em agradar pelo menos me passa isso. O que nos atendeu até relaxou com o tempo; chegou a bater um simpático papo com a gente sobre os ingredientes do molho de cebola. Foi legal.
Agora, o público... em determinado momento um cara esbarrou na minha cadeira. Quando fui olhar pra trás, Daniela disse "Espera que daqui a pouco te explico". Nem precisou. Segundos depois senti aquele característico cheiro de perfume barato que acompanha as damas da noite e seus gringos bimbões.
Pois foi isso mesmo, na mesa logo atrás de mim sentaram-se dois senhores de fora do país e duas esculturais representantes do mais alto meretrício da cidade. Presenças curiosas, principalmente considerando que o público do restaurante é quase que exclusivamente composto de casais de meia-idade.
Enfim, um lugar de difícil definição. Ganha nota 10 com todos os louvores pela comida. A clientela, no entanto, só vale uma nota 1 pelo inusitado da noite. Passaria na média se o preço não fosse tão alto. O couvert é bom demais, mas custa R$ 9,90... por pessoa.
22 novembro, 2007
Couvert da manhã
Diante da amarga realidade, o companheiro de blog veio com a sugestão: “E se falássemos também de cafés da manhã?” (Logo ele que não é chegado, acorda e toma, no máximo, um cafezinho no copo americano). De cara a idéia me causou um pouco de estranheza, mas logo as raízes lusitanas me fizeram lembrar que lá na terrinha o desjejum é chamado de pequeno almoço. Bom, já houve vezes em que substituímos a refeição da noite por um bom couvert, que nesse caso poderia ser chamado de pequeno jantar... Bingo !
Todo esse nariz-de-cera (enrolação, no jornalistiquês) foi pra dizer que voltamos ao blog, agora com cardápio ampliado. E quem estréia a seção de couverts da manhã é o Cafe du Lage, o agradável restaurante que fica no prédio da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. E que nos finais de semana oferece um café da manhã no pátio interno, em frente à piscina, às vezes com um grupo tocando um delicioso chorinho. Mais bucólico impossível.
A opção de café completo - não sei se é assim que eles chamam - é simpática: oferece, a R$ 17, chá, café, café com leite ou chocolate; cestinha de pães (que inclui um sensacional pão de queijo recheado, pena que só vem um); queijo branco; manteiga; geléia de abóbora (não gosto, mas quem comeu disse que é ótima); bolo (não lembro de quê); frutas; suco (laranja ou abacaxi - ou, como tentou nosso amigo Bernardo, meio a meio). Mais R$ 4 e ganhamos um mini misto-quente e um pote de iogurte natural, com mel e granola.
Há opções variadas no cardápio para quem não é adepto da comilança pela manhã. Porque o café é farto, vale bem pelo já comentado pequeno almoço. Aliás, é o que parece fazer a maioria dos que freqüentam o local: por volta do meio-dia a lista de espera é imensa. Mas o café só é servido até às 13 horas, depois disso é o almoço mesmo.
Vale a pena reservar um sábado ou domingo para esse aprazível programa. Mas uma dica: até o próximo mês de maio, procure sentar à sombra. Mesmo no meio da Mata Atlântica o sol pode ser hostil.
Onde: Café du Lage. Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Rua Jardim Botânico, 414. Não aceita cartão de crédito.
30 julho, 2007
Agora sim
Promessa feita, promessa cumprida. No ano passado, quando estive em Belém, não consegui comer um couvertzinho sequer. De volta este mês à terra da Cerpa (que só turistas tomam, os locais vão de Skol, veja você), tive o prazer de degustar um senhor couvert, no paradisíaco Mangal das Garças.
Trata-se de um parque com 40 mil m2, à beira do Rio Guamá, que reúne um mirante muito bacana (e que à noite, às escuras, vira um belo namoródromo), lagos artificiais, museu, viveiros de pássaros, de borboletas e de beija-flores, tudo rodeado de vegetação nativa. Lindo, lindo.
Eleito pela Veja Belém o melhor da cidade em 2007, o restaurante Manjar das Garças, que fica no complexo do Mangal, tem um couvert tão delicioso quanto o lugar. Uma generosa cesta de torradas (devidamente reposta sem que precisássemos pedir e sem cobrança adicional), acompanhada de porções de manteiga com ervas, gorgonzola, tomate seco com rúcula, fatias de salame bem temperado, pastas de bacon (que me disseram estar muito boa) e a paraense, de camarão com jambu (a tal erva que adormece a boca). Maravilha !
E eram porções fartas, que bem serviram os sete que dividiam a mesa. Praticamente uma refeição, por R$ 6,90. Só pelo couvert, dá pra imaginar como estava o prato de filé de tambaqui... (hummmm). Pena que não dá pra pegar o carro e ir lá no final de semana. E pelo visto, com a tragédia aérea que assola o país, vai ser daqueles pra ficar na memória, e olhe lá.
Obs: Não era couvert, mas vale registro o peixe com açaí que comi no Ver-o-Peso. São dezenas de barracas coladas (todas com TVs de plasma, diga-se de passagem), onde degusta-se em pé o peixe frito na hora, com uma tigela de açaí (puro, sem xarope de guaraná). Roots !
25 junho, 2007
Corrina, Corrina
Pra começar a mesa é pequena e muito atravancada de coisa. Apesar deles terem uma inciativa simpática para as mulheres: um bolsa-pendurator Tabajara. Mesmo assim entre pratos, talheres, porta-talheres, guardanapo, copos e a vela de enfeite o espaço fica exíguo.
O couvert em si - um pão preto acompanhado de manteiga com ervas e patê de presunto - é bem gostoso, mas não vale o preço: R$ 9,50. O pão é gostoso, com consistência próxima a de uma torrada. A manteiga é bastante saborosa, pedimos até refil, e o patê não compromete, eu que não sou fã de patê. Agora, não tem como lembrar que no Outback, por exemplo, você ganha um pão daquele mesmo tamanho, com um molho bem melhor, de graça no pedido de alguns pratos. Falta um 'algo mais' no couvert do Doce Delícia. Assim como falta no lugar em geral, eu achei.
E ninguém venha me acusar de só gostar de pé-sujo já que eu A-DO-REI o Bazzar.
21 junho, 2007
Mercado das delícias
O momento - um jantar romântico de dia dos namorados, comemorado na véspera por conta da folga do marido e companheiro de blog - não poderia ser mais apropriado. O restaurante é super aconchegante, naquele climazinho romântico que a efeméride pede. Carta de vinhos na mão, escolhemos um Alto Las Hormigas Malbec, creio que 2003, boa pedida. E de pronto aceitamos, claro, a sugestão do garçom de trazer os pães do couvert.
É uma verdadeira tentação. O garçom vem com uma cesta recheada de ciabattas, focaccias (normal ou de limão) e torradas com alecrim, todos deliciosos. E você que escolha quais e quantos quer pegar. Depois, o toque de mestre: os azeites aromáticos, que ele mistura na hora, formando no prato uma pintura de duas cores. O sabor, então, torna a coisa mais bela ainda. Vinha ainda uma manteiguinha temperada pra lá de boa (apesar do companheiro não ter gostado).
Para nosso deleite, os garçons não podem ver o prato vazio, e lá vêm eles nos oferecer mais uns daqueles irresistíveis pãezinhos. É quando você se dá conta de que ainda há o jantar (no meu caso, um namorado divino, maravilhoso, diga-se de passagem). E aí tem que ser forte para recusar a oferta, para não sair rolando do lugar, como foi o nosso caso.
Saldo da noite: R$ 8,50 pelo couvert, mais outros tantos pelo jantar completo, muita conversa, risos, paparicos, uma véspera de dia dos namorados impecável. E uma volta triunfal ao blog deixado de lado.
Onde: Bazzar - Rua Barão da Torre, 538, Ipanema
04 junho, 2007
Para Estela Canto
Em abril último meu 'camarada da Ilha', o Wagner, mui gentilmente nos hospedou e levou por um rápido tour pela cidade de São Paulo. Primeiro bebemos umas - duas - Serra Malte num barzinho simpático da Rua Augusta, enquanto esperávamos namorada do Wágner terminar um trabalho. Meu Deus, como paulista trabalha. Depois fomos para o Mercado São Pedro, num canto escondido da tal Vila Madalena. Ô lugarzinho legal. Parece, e é, uma mercearia que de noite espalha umas mesas e vira bar. O cara vende de um tudo, com especial atenção aos livros.
Entre algumas cervejas e idas ao banheiro deu tempo de passear pelo lugar e ver uns livros. Comprei uma edição do Aleph com capinha amarela que eu sempre quis. E comprei também, finalmente, o "Encontro Marcado". Livrão, daqueles que todo mundo tem que ler. Como escreve bem esse rapaz, Fernando Sabino. Comprei a 80ª edição. É muita edição. Recomendei pro Renato, meu amigo mais feio, e ele comprou o "Como o futebol explica o mundo", tremendo estudo sociológico sobre como o futebol se insere na cultura de vários países.
O couvert do lugar também não decepciona. Gostoso e bem apresentado, traz rosbife, tomate seco, mussarela de búfala, azeitona, pão e pepino em conserva. Lugar bastante simpático, cujo único pecado foi fechar cedo demais.
25 maio, 2007
Vergonha
Enquanto isso, acompanhem esse meu outro blog, meio que novo: http://idolosdebigode.blogspot.com/
28 fevereiro, 2007
Sleepwalking back again
Passei o resto do dia meio tonto e com uma dor de cabeça nível 7 na escala Richter. Cheguei a acreditar que estava diabético. Tenho uma espécie de hipocondria idealizada. Gosto de achar que tenho as mesmas doenças que acometeram meus ídolos. Diabetes sempre me lembra o Michael Corleone tendo crise enquanto conversava com o Papa no Poderoso Chefão III. De noite, felizmente, fizemos compras eu e Daniela. No mercado, ainda tentei convencê-la, em vão, a comprar uma revista Viagem que dava dicas de passeios baratos pelo Caribe. Um Loosho. Depois disso tudo, jantamos no Plebeu e fomos para casa domir.
Enquanto dormia, lembrei do couvert que comemos em Aruba, nas nossas férias em abril próximo. Era um desses restaurantes que você fica numa cadeira dentro d'água. Assim que você senta na mesa vem um garçon que já deixa o couvert. Gratuito, claro. Ficam na mesa uma cestinha de pães quentinhos e variados e pizzas brancas, que lá eles chamam de 'Mont Blanc'. Vem ainda uma casquinha de siri para cada pessoa na mesa e um suco da escolha do freguês. O mais impressionante é que eles entregam o suco que você quer sem te perguntar antes. Fiquei surpreso deles terem acerola e fruta-do-conde em uma ilha da América Central. O melhor é que os garçons entregam os pratos enquanto dão saltos triplamente qualificados, que nem os da Dayane.
Depois desse couvert de primeiro mundo a única opção era ressucitar o blog, que ficou tanto tempo mal cuidado e sozinho. Além da culpa de deixar de lado este belo projeto - que descobri ser de inspiração oulipiana - também havia o risco de ser atacado por algum rinoceronte furioso ressentido pela falta de leitura fútil. Está assumido o compromisso, pois, de novas atualizações. E prometo que no post pós-show o título não vai ser "Águas de Março".
24 dezembro, 2006
Don't Take Your Guns to Town
Enfim, o couvert da viagem acabou saindo em Búzios, onde fomos fazer compras e tomar um chope na famosa Rua das Pedras. Depois de rodar muito, comprar presentes de amigo oculto, uns tênis bem baratinhos e outras bugingangas acabamos nos sentando com um casal de amigos num restaurante com uma cara simpática chamado David.
A tentativa de convencer a Daniela a comer uma lagosta viva foi totalmente frustrada, então ficamos só no couvert mesmo. O David capricha no negócio. Nota 10 em conjunto, harmonia, enredo e alegorias.
O couvert deles vem com torradas quentinhas, no ponto e bastante saborosas. para as torradas, quatro potes de manteiga; fartura raramente vista e sempre apreciada. A pasta de atum, a Daniela disse que não estava muito boa. A berinjela, no entanto, foi enfaticamente elogiada.
Completam a entrada ainda uma boa quantidade de azeitonas pretas, pequenas e com ótima consistência. São as minhas preferidas. Como as grandes também, mas prefiro as pequenas. Vêm ainda ovos de codorna e lingüiça calabresa, das quais eu gostei, a Daniela não.
O lugar ainda tinha um daqueles garçons de outrora, que gostam de contar causo. Ao se desculpar porque não tinha mais Cerpa gelada, ele começou a comentar como é difícil ser garçon hoje em dia, quando as pessoas são tão nervosas. Falou sobre um cliente que colocou uma faca na garganta dele, uma semana antes, por causa de um real a mais na conta. Entre outras histórias tão pitorescas quanto. Sempre impliquei com Búzios, esse antro de playboyzice e argentinagem, mas simpatizei com o David. Volto lá feliz.
PS.: A pousada que a gente ficou em Arraial era bastante boa, mas o nosso quarto não chegava nem aos pés do cativeiro do Rafael, da novela das 8! Aquilo sim é amplo, cama confortável, uma beleza!
PS2.: Se o Profeta fosse bom mesmo tinha ressucitado o irmão, que nem o Dom fez.
PS3.: Blog novo na praça.
17 dezembro, 2006
29 novembro, 2006
Ai, que preguiça
Pois bem. Ao ler o texto da semana que passou, publicado pelo companheiro de blog e agora marido, lembrei imediatamente da história e me senti a própria rapariga (de Portugal, não esqueçam). Na casa do meu homem, quem não trabalha não come. Assim, diante do ultimato, não bastassem os afazeres domésticos que agora fazem parte da minha vida, tive que voltar a circular por aí, a procura de algo para abastecer o blog.
Fiz isso -- com Eduardo e um casal de amigos-afilhados -- no sábado, aproveitando a fome de couvert com a vontade de beber um chopp. Estivemos no Barril 1800, quase no Arpoador, onde eu não pisava há anos. Lugar agradável, beira da praia, mesas de sobra, vagas idem, chopp gelado, nada mal.
Já o couvert não compensa. Cesta com duas (míseras) pizzas brancas, algumas baguetes e pão francês cortados como torradas. Uma manteiguinha em temperatura ambiente (uns 35 graus) e pasta de gorgonzola, bem enjoada. Salvaram-se as lingüiças daquelas fininhas e as azeitonas condimentadas, mas que não chegaram a compensar o preço salgado do conjunto: R$ 10.
Fora isso, o Barril 1800 é pra quem tem sono. Pleno sábado, um calor de estio e antes das 2h os garçons já dobravam as toalhas e viravam as cadeiras. Decerto foram muito mais gentis que o pessoal do Informal do mesmo bairro, como já contamos por aqui, e esperaram pacientemente que terminássemos o papo e as saideiras. Mesmo assim, ficaram a nos dever uma horinha.
Onde: Av. Vieira Souto, 110, Ipanema.
Por Daniela Oliveira
16 novembro, 2006
My Back Pages
Quite clear, no doubt, somehow.
Ah, but I was so much older then,
I'm younger than that now."
E com esse post eu pretendo finalmente fechar a Trilogia da Gávea. Essa foi uma semana e tanto. Tivemos nosso primeiro dia de sol e fomos pela primeira vez a um restaurante no bairro com o assumido intuito de comer um couvert. O local escolhido foi o Bacalhau do Rei, assim mesmo.
Já tínhamos jantado lá um dia e a comida é boa, além do lugar servir Antarctica Original. Chegamos e perguntamos, tem couvert? A resposta foi ótima: "Nosso couvert é o bolinho de bacalhau". Fantástico. "Nosso couvert é o bolinho de bacalhau" Ainda assim não comemos bolinho. Nenhum dos dois estava com essa disposição. Pedi uma porção de azeitonas calabresas, que afinal de contas também é uma entrada. A porção é bastante generosa e as azeitonas, apimentadas, saborosas. Eles exageram, no entanto, na quantidade de azeite. As bichinhas vem encharcadas numa sopa de azeite, um excesso que teve efeitos perversos no estômago de minha esposa, já maltratado pela cerveja.
Mas é isso, agora que já estamos razoavelmente estabelecidos, com PC novo em casa inclusive, a coluna deve voltar a sua normalidade democrática. Semana que vem a Daniela voltar a postar, até porque não casei pra sustentar mulher preguiçosa não!
Bacalhau do Rei
Endereço: R. Marquês de São Vicente , 11-A, Gávea
PS.: Esse 'olho' bonitinho que eu botei aí no texto tirei o código aqui desse blog, ó.
03 novembro, 2006
Eu quero é botar meu bloco na rua
Como disse na coluna anterior eu e Daniela nos casamos e nos mudamos. Como a vida dá voltas, acabei vindo parar no bairro onde fica o colégio no qual eu fiz meu segundo grau, nos idos de 1993 a 1995. E curiosamente voltei, onze anos depois, a comer uma fatia de pizza no Show Pizza, no Shopping da Gávea. Enquanto saboreava a pizza calabresa com mais lingüiça calabresa que tem no Rio - quiçá no mundo - fiquei pensando que a fatia de pizza é uma espécie de entrada das pizzarias. Claro que isso é uma desculpa sem vergonha pra escrever a coluna sem ter comido couverts de verdade há algum tempo, mas tenho certeza que conto com a boa vontade e os leitores entrarão na minha onda.
Pois bem, a pizza do Show Pizza é excelente. É interessante notar como ela se mantém no shopping há tantos anos, sem perder espaço para nenhuma rede de bares, lanchonetes ou restaurantes fast food. Mesmo caso da loja de pastel que também está ali no Shopping da Gávea sabe Deus desde quando. Na minha opinião um característica esses dois lugares mantém: a qualidade.
Como já disse a quantidade de recheio do Show Pizza é surpreendente. Qualquer que seja o saber é sempre muito. Muito frango com catupiry, muita calabresa, muito champignon. E a pizza calabresa tem um fator especial: as fatias são muito fininhas, uma delícia.
Recomendo tanto pra quem quiser dividir com alguém uma pizza inteira ou quem estiver só de passagem e se interessar em provar uma fatia. Que aliás, também é enorme. A fatia.
30 outubro, 2006
Nada cai do céu, nem cairá
Through this weary world of woe
Heart burnin', still yearnin'
No one on earth would ever know"
Se esse blog tivesse algum leitor nós provavelmente precisaríamos pedir desculpas a ele (ou ela). Realmente faz muito tempo que não escrevemos, mas tem motivo. Casamos, mudamos e dai ficamos sem internet. Como um casal meio suburbano, meio caipira, estamos tendo dificuldades em nos acostumar com a Gávea. Nunca imaginei que existisse um bairro que não tem lotérica. Aqui não tem lotérica. Se tem, não achei.
Nesse interim também tivemos alguma dificuldade em provar novos couverts. Até provamos um, no Nova América. Não tô com o guardanapo onde anotei tudo aqui. A casa ainda é um caos e as coisas somem sozinhas. Descobrimos há algum tempo que perdemos uma mantegueira. Hoje não consegui achar de jeito nenhum minha luminária pra botar aqui no móvel do computador.
Teve também um couvert bastante especial na nossa festa de casamento. Em vez daquele monte de frios e comidas bregas, botamos um couvert em cada mesa de convidado, com pães, manteiga, ovos de codorna, azeitonas e tremoços, se bem me lembro.De qualquer modo, semana que vem prometo que o blog volta à atividade normal. Agora que não trocamos o certo pelo duvidoso podemos ter a tranqüilidade institucional necessária pra continuar postando.
Ah, só mais um detalhe. Agora escrevo meus posts com o Firefox 2.0. Muitas melhoras, muitas mesmo. Mas tem uma extensão que é uma loucura. Ele dá a opção de você baixar na página inicial, assim que você instala o programa. É um dicionário embutido no navegador. Conforme você vai escrevendo ele marca o que tá errado, que nem no word. Fantástico. Não há preguiça que justifique alguém usar o IE.
20 setembro, 2006
Foi ao ar, perdeu o lugar
quando eu passar por você
de cara alegre e cruel
feliz e mau como um pau duro"
Nesta sexta não tem couvert. Ué, como assim, a coluna não é sobre couverts? É, mas essa semana eu fui no Informal, e lá não tem couvert. O que mais se aproxima são os acepipes, mas o negócio custa muito mais do que seria razoável para uma entrada, então não conta. Diante disso, contarei como foi minha noite de terça-feira no Informal de Ipanema, que funciona em horário de matinê.
Fomos para lá encontrar nossos queridos amigos Carlas e Bernardo. Carla passou prum curso aí do British Council e os dois tão se mandando esse mês pra Londres. A noite foi uma desgraça, tirando a agradável companhia dos amigos e a interessante conversa que tive com minha senhora sobre a foda da Cicarelli na era da reprodutibilidade técnica.Pra começar, o lugar estava congelando. Já chovia, fazia um friozin lá fora, não se sabe pra quê um ar ligado tão forte lá dentro. E o que pode piorar ar condicionado? Isso mesmo, cigarro. Aparentemente o lugar não tem espaço para não-fumantes. Só se fosse do lado de fora, porque se era dentro não fazia diferença.
Pouco antes dos nosso amigos chegarem o garçon apareceu com a conta. Ué, mas a gente não tinha pedido! O sujeito se desculpou, de formar simpática, e levou de volta. Quando Bernardo e Carla chegaram, antes das 2h, a gerente não queria deixar eles entrarem, pois o bar já estaria fechado. Eles explicaram que estávamos lá dentro esperando e entraram. Pedimos uma rodada de chopes e antes que acabássemos o garçon voltou com a conta. Dessa vez sem dissimulações, a casa estava fechando mesmo. Ainda tentamos pedir mais uma rodada, o bar ainda estava cheio, com umas seis mesas ocupadas, mas não tinha jogo.
A cereja do bolo veio no fim da noite. Bernardo foi ao banheiro e, ao voltar, sua cadeira havia sido retirada. O rapaz, levemente alterado, deu um ataque de pelancas contra a falta de civilidade de se levar a cadeira de alguém que foi ao banheiro. Durante a discussão quem estava no mictório era eu, rindo sozinho da confusão. A gerente, que aparentemente tinha se dado bem naquela noite e queria fechar a casa cedo pra pagar um spring love nem se deu ao trabalho de ser simpática, bateu boca com o bêbado e perdeu cinco clientes.
Bernardo e Carla juram que não voltam lá por pelo menos um ano. Eu, pra ir em matinê, prefiro o Bar Brasil.
Obs.: Os nomes dos personagens foram trocados para preservar as famílias.
PS.: Só pra avisar que esse blog irá participar.
15 setembro, 2006
Couvert blasé
Pois foi com uma atitude blasé que entrei no Mentha. Notei, aliás, que todos os clientes do restaurante tinham um certo ar blasé também. Não à toa; o lugar fica no 6º piso (conhecido como G3) do Shopping Rio Sul, maior da Zona Sul, um dos mais movimentados do
Rio. Éramos todos sobreviventes da tal hiperestimulação que um antro do consumo é capaz de infligir.
Passando ao largo do excesso de barulho, aromas e pessoas característicos das praças de alimentação, o Mentha aparece como um oásis. Especialmente na parte interior, onde resolvi me sentar. Decoração de bom gosto e aconchegante, com cores suaves. Música
ambiente de qualidade, TVs de plasma passando "Fifa Fever". Pessoal do atendimento muito educado e solícito. E, para completar, um couvert à altura.
Fiquei feliz já de cruzar com a opção no cardápio, coisa rara nos poucos restaurantes existentes no shopping, e mais ainda por ver que eles adotam a boa medida de informar ali mesmo o que vem no couvert.
A cesta de pães chegou com baguetes com e sem gergelim, grissinis e pizza branca muito crocante, como deve ser, tudo em boa quantidade. Acompanham duas manteiguinhas, bolinhas de queijo de cabra ao azeite, pastinha de tomate seco e outra de azeitona verde, suaves e bem gostosas. O que me chamou a atenção foi a textura dessa última, parecia desmanchar na boca.
E o garçom ainda disse que há outras opções de pasta, como a de berinjela, de acordo com o dia. Pela qualidade das demais, vale a pena experimentar.
O preço do couvert também é simpático: R$ 6. Trata-se, portanto, de uma opção bastante agradável, em meio a todo o alvoroço de um shopping center e das atribulações cotidianas. Simmel recomendaria, aposto.
Onde: Shopping Rio Sul, G3, loja D-92, Setor Azul (Rua Lauro Muller, 116, Botafogo
Por Daniela Oliveira
05 setembro, 2006
Bob Dylan's Dream
That we could sit simply in that room again.
Ten thousand dollars at the drop of a hat,
I'd give it all gladly if our lives could be like that."
Comentei com meu amigo Pedro em um post anterior sobre o meu desejo de provar o couvert família do La Mole na loja do Leblon, onde se tem o bom costume de vender Bohemia de garrafa. Acabei descobrindo que existe uma coisa melhor que o couvert família do La Mole na loja do Leblon: é o couvert do La Mole em casa.
Olha como eu tô ficando velho. Fim de noite do último domingo minha diversão foi jogar um buraco com a patroa e um casal de amigos, na casa deles. Para comer pedimos um couvert em casa. Chega uma caixa, parece caixa de torta, recheadíssima. Os ingredientes são os mesmos, só em maior quantidade. A manteiga é um sucesso, abundante. O único porém é a página do La Mole não funcionar direito no Firefox. Na hora de finalizar o pedido dava erro. Fiz por telefone mesmo e comentei o problema. O sujeito do suporte lá explicou que o sistema só funciona no IE.
24 agosto, 2006
E não tem mais nada, negro amor
Portanto, para assegurar o bem-estar da minha família, prestes a ser sacramentada, resolvi não arriscar. Nada de procurar um couvert novo. Repeti um que eu conhecia, sobre o qual não havia falado ainda e sabia que é bom. Semana passada fui na Parmê. Sabem a Parmê? A pizza mais pesada do mundo com quilos de farinha e litros de óleo? Pois é, tem um couvert ótimo.
O garçon trouxe patê de frango e pasta de alho, azeitonas, pão de queijo, brioche, torrada, pizza branca, bolinha de queijo provolone, salame e queijo. Tudo muito bom, mas tudo muito pouco. Tudo bem, é um couvert, só pra abrir o apetite, mas ainda assim, merecia mais, até pela qualidade.
O forte é a grande variedade de pães, todos quentinhos e saborosos. O fraco, os frios; uma fatia de cada, pobreza mesmo. Os patês eu não comi, mas meus queridos amigos Daniel e Gabriel garantiram que coisa é fina, então eu acredito. O preço, tinha anotado no guardanapo, mas perdi... Ficava entre R$ 5,90 e R$ 7,90, dentro do limite do razoável.
Aliás, você já repararam como de perfil com a cabeça abaixada o Tarcisão tá cada vez mais parecido com o Jack Nicholson? Fechem os olhos e imaginem ele de Coringa. Cês vão ver só. Se bem que ele também tem um ângulos super-Jack Palance. Diz que não!
Dignidade para o couvert nosso de cada dia !
Porque atire suas pedras quem nunca passou pela desagradável situação de, certo de que ia saborear uma manteiga salgadinha, morder a torrada e sentir aquele gosto de plástico. Hoje, eu e o companheiro de blog já somos experientes para não cair na esparrela da margarina, mas já passamos maus bocados por conta dela (e, por favor, não pensem besteira).
Sábado, aniversário daquele, voltamos ao agradável Bar da Pracinha, no Alto da Boa Vista. Clima de montanha, que favorece à degustação de uma ou mais cachaças de qualidade oferecidas no cardápio. Para quem não é chegado, tem também um chopp que cai bem - leia mais sobre isso na coluna “Não coma de barriga vazia”, aqui no blog.
Só o que não cai bem é aquela margarina sem-vergonha que vem no couvert. Que já não é lá grandes coisas: só azeitonas verdes, salame e torradas, essas felizmente quentinhas e gostosas. Mas foi só bater o olho naquele creme amarelo da petisqueira que reparei, está com cara de margarina. Ainda provei, de leve, para me certificar do crime. E era daquelas mais sem gosto (ou com mais gosto de durex, como queiram), para piorar a situação.
Ah, mas dessa vez não ia passar incólume, já que um dos sócios dos restaurantes é companheiro de uma amiga, e estaria lá em breve. Jurei dizer poucas e boas sobre a prática picareta. Mas o tempo foi passando, a carta de cachaças também passou - por mim - e, quando o dito cujo chegou, eu já não me lembrava de nada e perdi a chance de fazer uma boa ação pelos freqüentadores do local.
Mas fica aqui o protesto. No Bar da Pracinha, nada de couvert. Até que se faça a coisa certa.
Onde: Praça Afonso Viseu, nº 8, Alto da Boa Vista (350 m em relação ao nível do mar)
Por Daniela Oliveira
