17 abril, 2008

I remember you, Sebastian Bach


Se você é fã da banda de Love Metal Skid Row, que fez fama e fortuna no início dos anos 90, e só passar por volta das 14h no Shopping da Gávea que é certo ouvir o hit "I Remember You". Toca todo dia no som ambiente do shopping.







"Remember yesterday, walking hand in hand
Love letters in the sand, I remember you
Through the sleepless nights, through every endless
day,
I'd wanna hear you say, I remember you
"

O Rio de Janeiro é uma cidade surreal

Como o blog está abandonado mesmo e algum tempo eu tô querendo um lugar pra escrever sobre casos de puro realismo fantástico que acontecem na cidade, resolvi distorcer um pouco (bastante) a função disso aqui.

Quem sabe movimentando a área com temas que nada tem a ver com couverts, e eu minha consorte não nos animamos a voltar a escrever sobre os temas de fato relevantes.

Pois bem, na madrugada desta quinta-feira eu precisei ligar pro 190. O atendente
foi muito atencioso e anotou sem demoras a minha reclamação: na praça central da Avenida Rodrigo Otávio, um grupo de 10 a 15 pessoas fazia uma festa à 0h45, com direito a funk no som de carro, cerveja e eventuais urinadas nas árvores próximas.

A viatura chegou ao local com surpreendente rapidez, menos de 5 minutos. Mais surpreendente ainda, no entanto, foi o que aconteceu com a chegada dos policias: nada.

Os garotos sequer desligaram o som do carro enquanto a viatura estava do lado. Um rapaz de camisa vermelha rebolava ao som do batidão enquanto os policiais faziam... não sei o que. Como estava distante, vendo tudo da janela da sala, não dava pr aouvir sobre o que eles conversaram. Ou se conversaram.

O que sei é que tão rápido quanto chegaram eles se foram. E a turma continuou lá, fazendo a sua festa até a hora em que resolveram ir embora, às 1h30m.

26 fevereiro, 2008

Uh, que beleza

É muito bom ser surpreendido por um couvert quando você o pede sem levar muita fé no que vem pela frente. Melhor ainda quando você não paga por ele. Pois foi o que aconteceu durante o carnaval, quando finalmente utilizamos o generoso vale do Picanha & Etc., que estava rolando na gaveta há quase dois meses.

Na beira da praia da Barra, o lugar é agradável, com um porém: o inevitável fog que infesta os restaurantes que servem picanha naquelas chapas individuais, levadas à mesa para uso do garçom ou do próprio cliente. Mas, depois do choque olfativo inicial, a gente acaba acostumando.

E, para não perder a oportunidade de enfim atualizar o quase-finado blog, pedimos o couvert, oferecido no cardápio a salgados R$ 16. Confesso que temi, mas já gostei quando o garçom perguntou se poderia trazer, antes de tudo, os pães de alho que tinham acabado de sair do forno. Ponto para ele e para a cesta de pães, farta e coberta com muçarela na medida certa.

Qual não foi minha surpresa quando os acompanhamentos enfim chegaram. Chamava a atenção o visual de uma enorme taça de vidro cheia de gelo e adornada com tiras de cenoura, pepino e aipo, mais azeitonas verdes (que estavam deliciosas). As pretas também eram muito boas, e vinham junto com uma conserva de berinjela e uma minimariscada (ou coisa parecida) divina. E ainda tinha um pacote de torradas, com saborosa pasta de gorgonzola e manteiguinha. Tudo bem servido.

Em resumo: recomendado com louvor. Daqueles que vale voltar mesmo para pedir um couvert, algumas cervejas e a conta.

(Momento "Você é mais inteligente que um aluno da 5ª série?": Apesar do protesto do corretor ortográfico do Word e do Blogger, a grafia de muçarela está corretíssima, podem conferir. Mas realmente é feia que dói. Melhor adotar para sempre o clássico e elegante mozarela.)

Onde: Picanha & Etc. - Av. Sernambetiba, 2.900, Barra da Tijuca

15 dezembro, 2007

Criatividade depois do mais do mesmo

Não é bem um couvert, mas pode-se tranqüilamente chamar de entrada.

Sábado passado estivemos naquele deprimente espetáculo de nostalgia barata que foi o show do Police. Uma espécie de micareta reggae-pop, com a pior organização que já se teve notícia em todo o mundo.

Por conta do brilhantismo dos organizadores do show, não conseguimos beber sequer uma garrafa d'água durante as mais de duras horas em que Sting tocou a mesma música. Ato contínuo, saímos do Maracanã direto para algum bar/restaurante onde pudéssemos comer e beber.

Acabamos no Sindicato do Chope da Afonso Pena. Já tínhamos pedido o couvert e uma porção de batatas fritas quando fomos surpreendidos por uma opção de se escolher quatro entre vários aperitivos, que vêm num prato redondo com uma porção de farofa no meio.

Ficamos com batata frita, filé aperitivo, carne seca e provoleta. Com a farofa no meio. As outras opções possíveis são as clássicas entre os aperitivos de qualquer bar. Aipim, frango a passarinho, essas coisas.

Além da idéia, bastante simpática, há que se elogiar a qualidade da comida e a quantidade servida. Comemos seis pessoas e segurou muito bem a onda, junto com infindáveis garrafas d'água e latas de refrigerante.

Portanto, palmas para o Sindicato, que trouxe um troque de criatividade para o previsível mundo dos aperitivos.

01 dezembro, 2007

Noite de Reis

Na última sexta-feira a gente resolveu gastar. Não que o dinheiro esteja sobrando, mas eu tinha um prêmio do trabalho que me dava R$ 100 de bônus em qualquer restaurante. Ora, sendo assim, vamos comer bem.

Pra escolher o lugar eu liguei pra uma amiga socialite e dei uma olhada no especial da Veja Rio sobre bares e restaurantes. (Aqui vale uma explicação: eu não compro a Veja. Nós temos apenas essa edição especial justamente para pesquisar lugares)

Vi os restaurantes que venceram em cada categoria e separei algumas opções. A minha amiga socialite sugeriu o Miam Miam, mas como a intenção era jantar mesmo - e havia interesse mais em vinhos que em drinks - acabamos ficando com o escolhido como melhor carne pela Vejinha: Giuseppe Grill.

Sendo um restaurante chique, é claro que não é preciso pedir o couvert; ele vem até você. E a coisa é finíssima. Numa simpática cestinha de madeira vêm torradas, pão preto, pão francês e uma pizza branca espetacular. Pra passar nos pães, eles trazem uma deliciosa ricota levemente temperado com alho. Acompanha também um molho à campanha (!) e um especial da casa, com cebola, orégano e pimenta branca.

O ambiente é tão legal e a comida tão boa que dá até pena de falar dos problemas, principalmente considerando que eles são completamente subjetivos. Por exemplo, eu não gosto que garçon me sirva. Ainda mais aquele garçon que fica do lado da mesa e não deixa seu copo d'água esvaziar direito. Essa paranóia de copo cheio só é legal com cerveja, e na Festa do 12, em Ouro Preto. De resto fica exagerado.

Mas isso me fez elaborar uma teoria sobre a tensão inerente a esse tipo de lugar. O público que vai a esse restaurante exige um tipo de atendimento quase escravista. O esforço exagerado dos garçons em agradar pelo menos me passa isso. O que nos atendeu até relaxou com o tempo; chegou a bater um simpático papo com a gente sobre os ingredientes do molho de cebola. Foi legal.

Agora, o público... em determinado momento um cara esbarrou na minha cadeira. Quando fui olhar pra trás, Daniela disse "Espera que daqui a pouco te explico". Nem precisou. Segundos depois senti aquele característico cheiro de perfume barato que acompanha as damas da noite e seus gringos bimbões.

Pois foi isso mesmo, na mesa logo atrás de mim sentaram-se dois senhores de fora do país e duas esculturais representantes do mais alto meretrício da cidade. Presenças curiosas, principalmente considerando que o público do restaurante é quase que exclusivamente composto de casais de meia-idade.

Enfim, um lugar de difícil definição. Ganha nota 10 com todos os louvores pela comida. A clientela, no entanto, só vale uma nota 1 pelo inusitado da noite. Passaria na média se o preço não fosse tão alto. O couvert é bom demais, mas custa R$ 9,90... por pessoa.

22 novembro, 2007

Couvert da manhã

E cá estamos, mais uma vez, tentando retomar o blog após recesso quase forçado. Horários de trabalho imorais, grana curta, pouca inventividade em nosso roteiro gastronômico, entre outros motivos, fizeram com que nos abstivéssemos de um dos nossos grandes prazeres, a degustação dos couverts.

Diante da amarga realidade, o companheiro de blog veio com a sugestão: “E se falássemos também de cafés da manhã?” (Logo ele que não é chegado, acorda e toma, no máximo, um cafezinho no copo americano). De cara a idéia me causou um pouco de estranheza, mas logo as raízes lusitanas me fizeram lembrar que lá na terrinha o desjejum é chamado de pequeno almoço. Bom, já houve vezes em que substituímos a refeição da noite por um bom couvert, que nesse caso poderia ser chamado de pequeno jantar... Bingo !

Todo esse nariz-de-cera (enrolação, no jornalistiquês) foi pra dizer que voltamos ao blog, agora com cardápio ampliado. E quem estréia a seção de couverts da manhã é o Cafe du Lage, o agradável restaurante que fica no prédio da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. E que nos finais de semana oferece um café da manhã no pátio interno, em frente à piscina, às vezes com um grupo tocando um delicioso chorinho. Mais bucólico impossível.

A opção de café completo - não sei se é assim que eles chamam - é simpática: oferece, a R$ 17, chá, café, café com leite ou chocolate; cestinha de pães (que inclui um sensacional pão de queijo recheado, pena que só vem um); queijo branco; manteiga; geléia de abóbora (não gosto, mas quem comeu disse que é ótima); bolo (não lembro de quê); frutas; suco (laranja ou abacaxi - ou, como tentou nosso amigo Bernardo, meio a meio). Mais R$ 4 e ganhamos um mini misto-quente e um pote de iogurte natural, com mel e granola.

Há opções variadas no cardápio para quem não é adepto da comilança pela manhã. Porque o café é farto, vale bem pelo já comentado pequeno almoço. Aliás, é o que parece fazer a maioria dos que freqüentam o local: por volta do meio-dia a lista de espera é imensa. Mas o café só é servido até às 13 horas, depois disso é o almoço mesmo.

Vale a pena reservar um sábado ou domingo para esse aprazível programa. Mas uma dica: até o próximo mês de maio, procure sentar à sombra. Mesmo no meio da Mata Atlântica o sol pode ser hostil.

Onde: Café du Lage. Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Rua Jardim Botânico, 414. Não aceita cartão de crédito.

30 julho, 2007

Agora sim

Promessa feita, promessa cumprida. No ano passado, quando estive em Belém, não consegui comer um couvertzinho sequer. De volta este mês à terra da Cerpa (que só turistas tomam, os locais vão de Skol, veja você), tive o prazer de degustar um senhor couvert, no paradisíaco Mangal das Garças.


Trata-se de um parque com 40 mil m2, à beira do Rio Guamá, que reúne um mirante muito bacana (e que à noite, às escuras, vira um belo namoródromo), lagos artificiais, museu, viveiros de pássaros, de borboletas e de beija-flores, tudo rodeado de vegetação nativa. Lindo, lindo.


Eleito pela Veja Belém o melhor da cidade em 2007, o restaurante Manjar das Garças, que fica no complexo do Mangal, tem um couvert tão delicioso quanto o lugar. Uma generosa cesta de torradas (devidamente reposta sem que precisássemos pedir e sem cobrança adicional), acompanhada de porções de manteiga com ervas, gorgonzola, tomate seco com rúcula, fatias de salame bem temperado, pastas de bacon (que me disseram estar muito boa) e a paraense, de camarão com jambu (a tal erva que adormece a boca). Maravilha !


E eram porções fartas, que bem serviram os sete que dividiam a mesa. Praticamente uma refeição, por R$ 6,90. Só pelo couvert, dá pra imaginar como estava o prato de filé de tambaqui... (hummmm). Pena que não dá pra pegar o carro e ir lá no final de semana. E pelo visto, com a tragédia aérea que assola o país, vai ser daqueles pra ficar na memória, e olhe lá.


Obs: Não era couvert, mas vale registro o peixe com açaí que comi no Ver-o-Peso. São dezenas de barracas coladas (todas com TVs de plasma, diga-se de passagem), onde degusta-se em pé o peixe frito na hora, com uma tigela de açaí (puro, sem xarope de guaraná). Roots !

25 junho, 2007

Corrina, Corrina

Na última quinta-feira aproveitamos um dia em que saí mais cedo do trabalho para jantar num lugarzinho perto de casa. A escolha foi o Doce Delícia da Dias Ferreira, que traz em seu cardápio a opção de couvert. O lugar é bonitinho, mas ordinário. Me deu a impressão dum Bibi Sucos afrescalhado.

Pra começar a mesa é pequena e muito atravancada de coisa. Apesar deles terem uma inciativa simpática para as mulheres: um bolsa-pendurator Tabajara. Mesmo assim entre pratos, talheres, porta-talheres, guardanapo, copos e a vela de enfeite o espaço fica exíguo.

O couvert em si - um pão preto acompanhado de manteiga com ervas e patê de presunto - é bem gostoso, mas não vale o preço: R$ 9,50. O pão é gostoso, com consistência próxima a de uma torrada. A manteiga é bastante saborosa, pedimos até refil, e o patê não compromete, eu que não sou fã de patê. Agora, não tem como lembrar que no Outback, por exemplo, você ganha um pão daquele mesmo tamanho, com um molho bem melhor, de graça no pedido de alguns pratos. Falta um 'algo mais' no couvert do Doce Delícia. Assim como falta no lugar em geral, eu achei.

E ninguém venha me acusar de só gostar de pé-sujo já que eu A-DO-REI o Bazzar.

21 junho, 2007

Mercado das delícias

Nada como voltar em grande estilo. Depois de hibernar por alguns meses, um pouco por atarefamento, muito por falta de grana e preguiça, retomo os escritos no blog por uma ótima causa: os irresistíveis pães e azeites aromáticos servidos como couvert no Bazzar.

O momento - um jantar romântico de dia dos namorados, comemorado na véspera por conta da folga do marido e companheiro de blog - não poderia ser mais apropriado. O restaurante é super aconchegante, naquele climazinho romântico que a efeméride pede. Carta de vinhos na mão, escolhemos um Alto Las Hormigas Malbec, creio que 2003, boa pedida. E de pronto aceitamos, claro, a sugestão do garçom de trazer os pães do couvert.

É uma verdadeira tentação. O garçom vem com uma cesta recheada de ciabattas, focaccias (normal ou de limão) e torradas com alecrim, todos deliciosos. E você que escolha quais e quantos quer pegar. Depois, o toque de mestre: os azeites aromáticos, que ele mistura na hora, formando no prato uma pintura de duas cores. O sabor, então, torna a coisa mais bela ainda. Vinha ainda uma manteiguinha temperada pra lá de boa (apesar do companheiro não ter gostado).

Para nosso deleite, os garçons não podem ver o prato vazio, e lá vêm eles nos oferecer mais uns daqueles irresistíveis pãezinhos. É quando você se dá conta de que ainda há o jantar (no meu caso, um namorado divino, maravilhoso, diga-se de passagem). E aí tem que ser forte para recusar a oferta, para não sair rolando do lugar, como foi o nosso caso.

Saldo da noite: R$ 8,50 pelo couvert, mais outros tantos pelo jantar completo, muita conversa, risos, paparicos, uma véspera de dia dos namorados impecável. E uma volta triunfal ao blog deixado de lado.

Onde: Bazzar - Rua Barão da Torre, 538, Ipanema

04 junho, 2007

Para Estela Canto

Em abril último meu 'camarada da Ilha', o Wagner, mui gentilmente nos hospedou e levou por um rápido tour pela cidade de São Paulo. Primeiro bebemos umas - duas - Serra Malte num barzinho simpático da Rua Augusta, enquanto esperávamos namorada do Wágner terminar um trabalho. Meu Deus, como paulista trabalha.

Depois fomos para o Mercado São Pedro, num canto escondido da tal Vila Madalena. Ô lugarzinho legal. Parece, e é, uma mercearia que de noite espalha umas mesas e vira bar. O cara vende de um tudo, com especial atenção aos livros.

Entre algumas cervejas e idas ao banheiro deu tempo de passear pelo lugar e ver uns livros. Comprei uma edição do Aleph com capinha amarela que eu sempre quis. E comprei também, finalmente, o "Encontro Marcado". Livrão, daqueles que todo mundo tem que ler. Como escreve bem esse rapaz, Fernando Sabino. Comprei a 80ª edição. É muita edição.

Recomendei pro Renato, meu amigo mais feio, e ele comprou o "Como o futebol explica o mundo", tremendo estudo sociológico sobre como o futebol se insere na cultura de vários países.

O couvert do lugar também não decepciona. Gostoso e bem apresentado, traz rosbife, tomate seco, mussarela de búfala, azeitona, pão e pepino em conserva. Lugar bastante simpático, cujo único pecado foi fechar cedo demais.

25 maio, 2007

Vergonha

Tô com vergonha do estado de abandono desse blog. Mas prometo que tudo está sendo arranjado para uma volta triunfante.

Enquanto isso, acompanhem esse meu outro blog, meio que novo: http://idolosdebigode.blogspot.com/

28 fevereiro, 2007

Sleepwalking back again

Ontem foi um dia muito ruim. Fim de mês, ainda mais mês que teve carnaval e obrigação de comprar ingresso pra show do Rogério Águas, deixa a pessoa em situação muito difícil. Não tenho mais dinheiro no banco e no bolso sobram apenas R$ 4, o bastante para o ônibus ida/volta do trabalho. Mas o problema mesmo é que não tem mais comida lá em casa. Almocei ontem miojo com restos de milho. De tarde, na hora do lanchinho, fui tomar um leite com Toddy e descobri que não tinha leite. Só me restou comer o Toddy puro. Aquilo não me fez bem.

Passei o resto do dia meio tonto e com uma dor de cabeça nível 7 na escala Richter. Cheguei a acreditar que estava diabético. Tenho uma espécie de hipocondria idealizada. Gosto de achar que tenho as mesmas doenças que acometeram meus ídolos. Diabetes sempre me lembra o Michael Corleone tendo crise enquanto conversava com o Papa no Poderoso Chefão III. De noite, felizmente, fizemos compras eu e Daniela. No mercado, ainda tentei convencê-la, em vão, a comprar uma revista Viagem que dava dicas de passeios baratos pelo Caribe. Um Loosho. Depois disso tudo, jantamos no Plebeu e fomos para casa domir.

Enquanto dormia, lembrei do couvert que comemos em Aruba, nas nossas férias em abril próximo. Era um desses restaurantes que você fica numa cadeira dentro d'água. Assim que você senta na mesa vem um garçon que já deixa o couvert. Gratuito, claro. Ficam na mesa uma cestinha de pães quentinhos e variados e pizzas brancas, que lá eles chamam de 'Mont Blanc'. Vem ainda uma casquinha de siri para cada pessoa na mesa e um suco da escolha do freguês. O mais impressionante é que eles entregam o suco que você quer sem te perguntar antes. Fiquei surpreso deles terem acerola e fruta-do-conde em uma ilha da América Central. O melhor é que os garçons entregam os pratos enquanto dão saltos triplamente qualificados, que nem os da Dayane.

Depois desse couvert de primeiro mundo a única opção era ressucitar o blog, que ficou tanto tempo mal cuidado e sozinho. Além da culpa de deixar de lado este belo projeto - que descobri ser de inspiração oulipiana - também havia o risco de ser atacado por algum rinoceronte furioso ressentido pela falta de leitura fútil. Está assumido o compromisso, pois, de novas atualizações. E prometo que no post pós-show o título não vai ser "Águas de Março".

24 dezembro, 2006

Don't Take Your Guns to Town

Nesse ano minha folga foi na semana anterior ao Natal e aproveitamos para passar uns dias em Arraial do Cabo, cidade da qual nós dois gostamos muito. Belas praias e tudo aquilo. Aproveitamos também pra comer em alguns restaurantes da cidade, mas acabamos não comendo nenhum couvert por lá, vejam vocês. Nos restaurantes que fomos e que tinha couvert chegamos cansados e com pouca fome.

Enfim, o couvert da viagem acabou saindo em Búzios, onde fomos fazer compras e tomar um chope na famosa Rua das Pedras. Depois de rodar muito, comprar presentes de amigo oculto, uns tênis bem baratinhos e outras bugingangas acabamos nos sentando com um casal de amigos num restaurante com uma cara simpática chamado David.

A tentativa de convencer a Daniela a comer uma lagosta viva foi totalmente frustrada, então ficamos só no couvert mesmo. O David capricha no negócio. Nota 10 em conjunto, harmonia, enredo e alegorias.

O couvert deles vem com torradas quentinhas, no ponto e bastante saborosas. para as torradas, quatro potes de manteiga; fartura raramente vista e sempre apreciada. A pasta de atum, a Daniela disse que não estava muito boa. A berinjela, no entanto, foi enfaticamente elogiada.

Completam a entrada ainda uma boa quantidade de azeitonas pretas, pequenas e com ótima consistência. São as minhas preferidas. Como as grandes também, mas prefiro as pequenas. Vêm ainda ovos de codorna e lingüiça calabresa, das quais eu gostei, a Daniela não.

O lugar ainda tinha um daqueles garçons de outrora, que gostam de contar causo. Ao se desculpar porque não tinha mais Cerpa gelada, ele começou a comentar como é difícil ser garçon hoje em dia, quando as pessoas são tão nervosas. Falou sobre um cliente que colocou uma faca na garganta dele, uma semana antes, por causa de um real a mais na conta. Entre outras histórias tão pitorescas quanto. Sempre impliquei com Búzios, esse antro de playboyzice e argentinagem, mas simpatizei com o David. Volto lá feliz.

PS.: A pousada que a gente ficou em Arraial era bastante boa, mas o nosso quarto não chegava nem aos pés do cativeiro do Rafael, da novela das 8! Aquilo sim é amplo, cama confortável, uma beleza!

PS2.: Se o Profeta fosse bom mesmo tinha ressucitado o irmão, que nem o Dom fez.

PS3.: Blog novo na praça.

17 dezembro, 2006

Only a Pawn in Their Game

Uma pausa nos couverts porque tudo tem limite.

29 novembro, 2006

Ai, que preguiça

Quando criança eu tinha um livro com uns contos muito bacanas. Um deles falava sobre uma rapariga (o livro era de Portugal) muito, mas muito preguiçosa. Um mancebo (da terrinha) resolveu casar com ela, e meses depois eles receberam a visita do pai da moça, que se espantou com a disposição da filha. Ela cozinhou, lavou a louça, limpou a casa, lavou e passou toda a roupa (ai, ai). A moral da história se resumia com a frase da moçoila: “Ô meu pai, levante da cadeira e venha trabalhar/ Que na casa do meu ‘home’ (sic), quem não trabalha não come.”

Pois bem. Ao ler o texto da semana que passou, publicado pelo companheiro de blog e agora marido, lembrei imediatamente da história e me senti a própria rapariga (de Portugal, não esqueçam). Na casa do meu homem, quem não trabalha não come. Assim, diante do ultimato, não bastassem os afazeres domésticos que agora fazem parte da minha vida, tive que voltar a circular por aí, a procura de algo para abastecer o blog.

Fiz isso -- com Eduardo e um casal de amigos-afilhados -- no sábado, aproveitando a fome de couvert com a vontade de beber um chopp. Estivemos no Barril 1800, quase no Arpoador, onde eu não pisava há anos. Lugar agradável, beira da praia, mesas de sobra, vagas idem, chopp gelado, nada mal.

Já o couvert não compensa. Cesta com duas (míseras) pizzas brancas, algumas baguetes e pão francês cortados como torradas. Uma manteiguinha em temperatura ambiente (uns 35 graus) e pasta de gorgonzola, bem enjoada. Salvaram-se as lingüiças daquelas fininhas e as azeitonas condimentadas, mas que não chegaram a compensar o preço salgado do conjunto: R$ 10.

Fora isso, o Barril 1800 é pra quem tem sono. Pleno sábado, um calor de estio e antes das 2h os garçons já dobravam as toalhas e viravam as cadeiras. Decerto foram muito mais gentis que o pessoal do Informal do mesmo bairro, como já contamos por aqui, e esperaram pacientemente que terminássemos o papo e as saideiras. Mesmo assim, ficaram a nos dever uma horinha.

Onde:
Av. Vieira Souto, 110, Ipanema.
Por Daniela Oliveira

16 novembro, 2006

My Back Pages

"Good and bad, I define these terms
Quite clear, no doubt, somehow.
Ah, but I was so much older then,
I'm younger than that now.
"

E com esse post eu pretendo finalmente fechar a Trilogia da Gávea. Essa foi uma semana e tanto. Tivemos nosso primeiro dia de sol e fomos pela primeira vez a um restaurante no bairro com o assumido intuito de comer um couvert. O local escolhido foi o Bacalhau do Rei, assim mesmo.

Já tínhamos jantado lá um dia e a comida é boa, além do lugar servir Antarctica Original. Chegamos e perguntamos, tem couvert? A resposta foi ótima: "Nosso couvert é o bolinho de bacalhau". Fantástico. "Nosso couvert é o bolinho de bacalhau" Ainda assim não comemos bolinho. Nenhum dos dois estava com essa disposição. Pedi uma porção de azeitonas calabresas, que afinal de contas também é uma entrada. A porção é bastante generosa e as azeitonas, apimentadas, saborosas. Eles exageram, no entanto, na quantidade de azeite. As bichinhas vem encharcadas numa sopa de azeite, um excesso que teve efeitos perversos no estômago de minha esposa, já maltratado pela cerveja.

Mas é isso, agora que já estamos razoavelmente estabelecidos, com PC novo em casa inclusive, a coluna deve voltar a sua normalidade democrática. Semana que vem a Daniela voltar a postar, até porque não casei pra sustentar mulher preguiçosa não!

Bacalhau do Rei
Endereço: R. Marquês de São Vicente , 11-A, Gávea

PS.: Esse 'olho' bonitinho que eu botei aí no texto tirei o código aqui desse blog, ó.

03 novembro, 2006

Eu quero é botar meu bloco na rua

Hoje em dia é difícil um restaurante ser realmente especializado. Foi um choque quando soube pela primeira vez que em churrascarias é possível comer sushi. Mesmo as pizzarias se renderam ao self-service ou à comida a quilo e vendem o onipresente frango grelhado. Em pizzarias, no entanto, ainda é difícil achar couverts.

Como disse na coluna anterior eu e Daniela nos casamos e nos mudamos. Como a vida dá voltas, acabei vindo parar no bairro onde fica o colégio no qual eu fiz meu segundo grau, nos idos de 1993 a 1995. E curiosamente voltei, onze anos depois, a comer uma fatia de pizza no Show Pizza, no Shopping da Gávea. Enquanto saboreava a pizza calabresa com mais lingüiça calabresa que tem no Rio - quiçá no mundo - fiquei pensando que a fatia de pizza é uma espécie de entrada das pizzarias. Claro que isso é uma desculpa sem vergonha pra escrever a coluna sem ter comido couverts de verdade há algum tempo, mas tenho certeza que conto com a boa vontade e os leitores entrarão na minha onda.

Pois bem, a pizza do Show Pizza é excelente. É interessante notar como ela se mantém no shopping há tantos anos, sem perder espaço para nenhuma rede de bares, lanchonetes ou restaurantes fast food. Mesmo caso da loja de pastel que também está ali no Shopping da Gávea sabe Deus desde quando. Na minha opinião um característica esses dois lugares mantém: a qualidade.

Como já disse a quantidade de recheio do Show Pizza é surpreendente. Qualquer que seja o saber é sempre muito. Muito frango com catupiry, muita calabresa, muito champignon. E a pizza calabresa tem um fator especial: as fatias são muito fininhas, uma delícia.

Recomendo tanto pra quem quiser dividir com alguém uma pizza inteira ou quem estiver só de passagem e se interessar em provar uma fatia. Que aliás, também é enorme. A fatia.

30 outubro, 2006

Nada cai do céu, nem cairá

"Ain't talkin', just walkin'
Through this weary world of woe
Heart burnin', still yearnin'
No one on earth would ever know
"

Se esse blog tivesse algum leitor nós provavelmente precisaríamos pedir desculpas a ele (ou ela). Realmente faz muito tempo que não escrevemos, mas tem motivo. Casamos, mudamos e dai ficamos sem internet. Como um casal meio suburbano, meio caipira, estamos tendo dificuldades em nos acostumar com a Gávea. Nunca imaginei que existisse um bairro que não tem lotérica. Aqui não tem lotérica. Se tem, não achei.

Nesse interim também tivemos alguma dificuldade em provar novos couverts. Até provamos um, no Nova América. Não tô com o guardanapo onde anotei tudo aqui. A casa ainda é um caos e as coisas somem sozinhas. Descobrimos há algum tempo que perdemos uma mantegueira. Hoje não consegui achar de jeito nenhum minha luminária pra botar aqui no móvel do computador.

Teve também um couvert bastante especial na nossa festa de casamento. Em vez daquele monte de frios e comidas bregas, botamos um couvert em cada mesa de convidado, com pães, manteiga, ovos de codorna, azeitonas e tremoços, se bem me lembro.

De qualquer modo, semana que vem prometo que o blog volta à atividade normal. Agora que não trocamos o certo pelo duvidoso podemos ter a tranqüilidade institucional necessária pra continuar postando.

Ah, só mais um detalhe. Agora escrevo meus posts com o Firefox 2.0. Muitas melhoras, muitas mesmo. Mas tem uma extensão que é uma loucura. Ele dá a opção de você baixar na página inicial, assim que você instala o programa. É um dicionário embutido no navegador. Conforme você vai escrevendo ele marca o que tá errado, que nem no word. Fantástico. Não há preguiça que justifique alguém usar o IE.

20 setembro, 2006

Foi ao ar, perdeu o lugar

"vo nem vai me reconhecer
quando eu passar por você
de cara alegre e cruel
feliz e mau como um pau duro"

Nesta sexta não tem couvert. Ué, como assim, a coluna não é sobre couverts? É, mas essa semana eu fui no Informal, e lá não tem couvert. O que mais se aproxima são os acepipes, mas o negócio custa muito mais do que seria razoável para uma entrada, então não conta. Diante disso, contarei como foi minha noite de terça-feira no Informal de Ipanema, que funciona em horário de matinê.

Fomos para lá encontrar nossos queridos amigos Carlas e Bernardo. Carla passou prum curso aí do British Council e os dois tão se mandando esse mês pra Londres. A noite foi uma desgraça, tirando a agradável companhia dos amigos e a interessante conversa que tive com minha senhora sobre a foda da Cicarelli na era da reprodutibilidade técnica.

Pra começar, o lugar estava congelando. Já chovia, fazia um friozin lá fora, não se sabe pra quê um ar ligado tão forte lá dentro. E o que pode piorar ar condicionado? Isso mesmo, cigarro. Aparentemente o lugar não tem espaço para não-fumantes. Só se fosse do lado de fora, porque se era dentro não fazia diferença.

Pouco antes dos nosso amigos chegarem o garçon apareceu com a conta. Ué, mas a gente não tinha pedido! O sujeito se desculpou, de formar simpática, e levou de volta. Quando Bernardo e Carla chegaram, antes das 2h, a gerente não queria deixar eles entrarem, pois o bar já estaria fechado. Eles explicaram que estávamos lá dentro esperando e entraram. Pedimos uma rodada de chopes e antes que acabássemos o garçon voltou com a conta. Dessa vez sem dissimulações, a casa estava fechando mesmo. Ainda tentamos pedir mais uma rodada, o bar ainda estava cheio, com umas seis mesas ocupadas, mas não tinha jogo.

A cereja do bolo veio no fim da noite. Bernardo foi ao banheiro e, ao voltar, sua cadeira havia sido retirada. O rapaz, levemente alterado, deu um ataque de pelancas contra a falta de civilidade de se levar a cadeira de alguém que foi ao banheiro. Durante a discussão quem estava no mictório era eu, rindo sozinho da confusão. A gerente, que aparentemente tinha se dado bem naquela noite e queria fechar a casa cedo pra pagar um spring love nem se deu ao trabalho de ser simpática, bateu boca com o bêbado e perdeu cinco clientes.

Bernardo e Carla juram que não voltam lá por pelo menos um ano. Eu, pra ir em matinê, prefiro o Bar Brasil.

Obs.: Os nomes dos personagens foram trocados para preservar as famílias.

PS.: Só pra avisar que esse blog irá participar.

15 setembro, 2006

Couvert blasé

O sociólogo alemão Georg Simmel cunhou, em seu texto "A metrópole e a vida mental", a expressão "atitude blasé", que se traduz numa espécie de distanciamento diante do mundo e das coisas. Segundo ele, esta seria uma forma de se resguardar da avalanche de estímulos existentes nas metrópoles. Uma autodefesa para não pirar, digamos assim.

Pois foi com uma atitude blasé que entrei no Mentha. Notei, aliás, que todos os clientes do restaurante tinham um certo ar blasé também. Não à toa; o lugar fica no 6º piso (conhecido como G3) do Shopping Rio Sul, maior da Zona Sul, um dos mais movimentados do
Rio. Éramos todos sobreviventes da tal hiperestimulação que um antro do consumo é capaz de infligir.

Passando ao largo do excesso de barulho, aromas e pessoas característicos das praças de alimentação, o Mentha aparece como um oásis. Especialmente na parte interior, onde resolvi me sentar. Decoração de bom gosto e aconchegante, com cores suaves. Música
ambiente de qualidade, TVs de plasma passando "Fifa Fever". Pessoal do atendimento muito educado e solícito. E, para completar, um couvert à altura.

Fiquei feliz já de cruzar com a opção no cardápio, coisa rara nos poucos restaurantes existentes no shopping, e mais ainda por ver que eles adotam a boa medida de informar ali mesmo o que vem no couvert.

A cesta de pães chegou com baguetes com e sem gergelim, grissinis e pizza branca muito crocante, como deve ser, tudo em boa quantidade. Acompanham duas manteiguinhas, bolinhas de queijo de cabra ao azeite, pastinha de tomate seco e outra de azeitona verde, suaves e bem gostosas. O que me chamou a atenção foi a textura dessa última, parecia desmanchar na boca.

E o garçom ainda disse que há outras opções de pasta, como a de berinjela, de acordo com o dia. Pela qualidade das demais, vale a pena experimentar.

O preço do couvert também é simpático: R$ 6. Trata-se, portanto, de uma opção bastante agradável, em meio a todo o alvoroço de um shopping center e das atribulações cotidianas. Simmel recomendaria, aposto.

Onde: Shopping Rio Sul, G3, loja D-92, Setor Azul (Rua Lauro Muller, 116, Botafogo
Por Daniela Oliveira